
É tênue a linha que separa a vitória da derrota, o êxito do insucesso, a glória do fracasso e o homem do mito.
Tão marcante é a história de um herói imaginário que povoa a mente de uma nação de fanáticos que o idolatram, como se fosse a encarnação da própria divindade.
Rogério Ceni, para muitos, é herói, ídolo e mito. É a representação daquilo que gostaríamos de ser. O exemplo do ser humano que deu certo por conta de suas próprias forças e personalidade marcante.
Para alguns, arrogante. Para outros concentrado e centrado.
Ser humano.
A algumas horas de completar 800 partidas pelo São Paulo, Rogério é destaque no Uruguai, onde o clube jogará pela Libertadores.
Parece simples nos dias de hoje atingir tal marca, mas num futebol onde a cada dia o êxodo de atletas se dá cada vez mais cedo, Rogério é exemplo a ser seguido. Embora o capitalismo selvagem que arrebata a mente de nossos jovens seja mais forte, e a razão imediata guia para o lucro fácil e rápido em terrenos inóspitos.
Os mesmos jovens que em grande maioria são acéfalos e apenas seguem um roteiro préestabelecido por seus senhores, na figura de empresários da bola. Não têm estes a capacidade de pensar por si próprios, como tem Rogério Ceni, que talvez por isso seja tão invejado, e que talvez por isso cause temor na imprensa esportiva.
Não é fácil identificar na figura de Rogério Ceni onde termina o mito e onde começa o homem.
Rogério Ceni talvez faça parte de um seleto time que jamais conseguiremos definir, mas que povoará nosso imaginário para todo o sempre. |