O Blog do Careca


Foi-se o tempo

Apesar dos 30 anos bem vividos jamais tive a oportunidade de presenciar fatos tão pitorescos como aqueles contados por meu pai, ou por conhecidas figuras da imprensa esportiva do Brasil, como Alberto Helena Jr ou Silvio Luiz.

Pensei que tais fatos tivessem ficado no passado, ou ainda que aconteciam apenas nos "fundões" desse país.

Os que conhecem a história da Taça Libertadores também já ouviram falar de vestiários trancados com o time dentro, falta de energia e banho gelado, time passando pelo meio da torcida adversária, etc.

Em pleno século 21 é inadimissível que isso ainda aconteça, não é mesmo?

E o caro leitor deve pensar que é menos admissível que isso aconteça no país que abrigará uma Copa do Mundo.

E se eu disser que além de ser verdade, o deprimente espetáculo é promovido por um clube que se considera grande?

E se eu disser que isso acontece com a anuência do técnico que se acha o melhor do Brasil?

Pois bem, amigo leitor, isso aconteceu hoje no estádio Palestra Itália, no confronto entre São Paulo X Palmeiras, pela semifinal do Paulistão 2008.

Só que canalhas com a mente no século 20 deram um "tom de modernidade", despejando spray de pimenta no vestiário do clube do Morumbi.

Lamentável?

Pior ainda foi a atitude de mandar apagar os refletores do estádio logo após a marcação do segundo gol do time alviverde.

Ao caro amigo quero registrar minha indignação, já sabendo que nada será feito e ninguém será punido.

É triste ver que clubes se aliam a criminosos, vendem suas camisas, compram árbitros e ainda precisem usar desse expediente para vencer um clube que nada faz, além de trabalhar e se sustentar com seus próprios recursos.

Ah, só para que fique registrado houve também uma partida de futebol, apesar dos canalhas de sempre, travestidos de dirigentes e de "super-técnicos" de futebol.

Abraços.

www.torcidasdobrasil.com.br
carlosfabiano@torcidasdobrasil.com.br



 Escrito por Carlos Fabiano às 18h55 [] [envie esta mensagem] []






Como nasce um herói

Não é verdade que o futebol seja, indiscutivelmente, a paixão de todo brasileiro. Mas o fato é que existem aqueles que dão toda a importância ao esporte bretão.

São aqueles que choram, sofrem e se desesperam. Desde o apito inicial até o chute derradeiro.

É nesse momento que nasce o herói.

Só ele é capaz de dar a esse torcedor a salvação para um perigo que só existe em sua mente apaixonada e que aflige seu coração durante os 90 minutos de uma partida. Não há inimigo, mas muitos vilões que a todo custo tentam tirar dele a alegria de ver seu clube vitorioso. E esses precisam ser combatidos a todo custo, até que não haja mais batalha a ser lutada.

Ontem no Cícero Pompeu de Toledo conhecemos a figura sobre-humana, quase mítica, de um imperador moderno.

Foram 90 minutos de um jogo de um time só. Uma batalha épica, tal qual as que eram travadas na antigüidade pelas Legiões Romanas, na conquista da Gália, comandadas por Marco Antônio e Julio César.

O Imperador dessa vez responde pelo nome de Adriano.

Mesmo antes de partir para a reconquista do Velho Continente, ele já desperta a saudade em seus seguidores.

Contra um Sportivo Luqueño disposto ao que chamamos de antifutebol -muitos jogadores simplesmente desabaram sem qualquer motivo aparente, ao longo da partida- coube a Adriano, uma vez mais, o papel de protagonista e herói, quando tudo caminhava para um desgastante empate.

É nessas horas que o ser humano prova do que é capaz e Adriano vem provando a cada dia que é o herói do torcedor tricolor.

Já deixa saudades.

’Ave Cesar’.



 Escrito por Carlos Fabiano às 18h02 [] [envie esta mensagem] []






Roxo de vergonha

Sem profissionalismo algum a diretoria do Corinthians frustrou seus torcedores, convocados a vestir o novo uniforme roxo, na partida do último domingo contra o Marília pelo Paulistão.

Alegando superstição, o presidente Andres Sanchez simplesmente decidiu em cima da hora que o time entraria em campo com o uniforme tradicional e não mais com a nova camisa, contrariando campanha de marketing que dominou o meio esportivo na última semana, tendo inclusive os muros do Parque São Jorge e o ônibus da delegação, pintados com a mesma cor da camisa.

Muitos comentaristas reprovaram tal atitude e ficou claro que uma vez mais a direção da equipe alvinegra curvou-se à vontade de muitos torcedores que torceram o nariz para a cor do uniforme.

Um clube que pensa em se modernizar não pode continuar tocando seu destino com base nas pressões que sua diretoria sofre de torcedores, sejam eles organizados ou não.

No futebol moderno não há mais espaço para o amadorismo e atitudes desse tipo deixam claro que o Corinthians, apesar de alguns bons nomes, continua sendo gerido de forma amadora.

Paixão pelo clube é uma coisa. Mas o profissionalismo hoje em dia é muito mais importante.

E do Parque São Jorge o profissionalismo passa longe.



 Escrito por Carlos Fabiano às 13h45 [] [envie esta mensagem] []






Circo merece respeito

Já dizia o ditado: "Se cobrir vira circo".

É quase nisso que se transformou o TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) da Federação Paulista de Futebol.

Na noite de ontem o atleta Jorge Wagner, do São Paulo, foi julgado e condenado a uma partida de suspensão por suposta joelhada em Valdívia, do Palmeiras.

Nada errado, não fosse o fato de o São Paulo jogar a última rodada da fase de classificação do Paulistão contra o frágil Juventus. Neste caso o atleta fica livre para jogar a semi e a final, caso o Tricolor avance.
Não entro no mérito da condenação do atleta, mas sim da punição que atende aos interesses da própria FPF, que obviamente não quer desvalorizar o seu torneio.

O atacante Kléber, do Palmeiras, foi condenado a duas partidas de suspensão, pela cotovelada no zagueiro André Dias, do mesmo São Paulo. O detalhe é que o Palmeiras já estava praticamente classificado e o atleta não faria falta nas rodadas finais, estando liberado para fase seguinte. Fosse no Brasileirão -que tem longa duração- o atleta teria levado punição exemplar, como merecia neste caso.

Triste, porém é a realidade do futebol paulista.

O circo e os palhaços de verdade merecem respeito.



 Escrito por Carlos Fabiano às 13h44 [] [envie esta mensagem] []






Malas que vêem para o bem

Até que ponto é válido o incentivo financeiro para que um clube de futebol derrote o outro, facilitando assim a vida de um terceiro, interessado diretamente no resultado dessa partida?

A questão vai muito além da ética, pois não envolve apenas o lado financeiro. A paixão pelo futebol é colocada em questão, quando esse assunto vem à tona sempre em finais de campeonatos.

No próximo final de semana ocorrerá a última rodada da fase classificatória do Campeonato Paulista. Para que consiga obter a sonhada classificação o Corinthians não depende apenas de suas próprias forças. Além de vencer sua partida contra o Noroeste, em Bauru, a equipe do Parque São Jorge depende de uma combinação de resultados para se classificar às semifinais do torneio. Uma derrota do São Paulo para o Juventus, no Morumbi, ou uma vitória do Santos contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro, são os resultados necessários às ambições alvinegras.

Entra então em jogo a tal da "mala preta".

Muitos técnicos dizem que isso existe sim no futebol, embora nunca tenha sido provado.

Emerson Leão, técnico do Santos, diz que seu time não facilitará no jogo contra a Ponte, para prejudicar um rival. Conta que quando era atleta passou por situação semelhante e recusou-se a disputar uma partida devido à tal mala.

E o torcedor, como é que fica?

De certo apenas que os interesses dos cartolas e dos clubes é o principal.

O torcedor jamais será consultado para saber o que pensa acerca desse assunto e se acha legal ou não seu clube receber esse "doping financeiro" para derrotar um adversário, o que seria mais do que sua obrigação.

Quem não se lembra das rodadas finais do Paulistão, em que o São Paulo poderia perder para o Juventus e selar o rebaixamento do Corinthians? Novamente os dois clubes se cruzam numa rodada derradeira, e novamente o "Moleque Travesso" pode ir parar na segundona.

Com ou sem mala preta essa é a graça que apimenta muitas rivalidades em nosso futebol e dá munição para infindáveis discussões nos botecos da esquina.



 Escrito por Carlos Fabiano às 13h42 [] [envie esta mensagem] []




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