O Blog do Careca


Entrevista: Aurélio Miguel, candidato à presidência do São Paulo Futebol Clube

 

No próximo mês de Abril o São Paulo Futebol Clube realiza a eleição para a presidência da diretoria, que comandará o clube pelos próximos 3 anos, de acordo com mudança no estatuto, votada recentemente.
 
O ex-judoca Aurélio Miguel, medalha de ouro nas Olimpíadas de 1988, na Coréia do Sul, e conselheiro do clube, foi o nome escolhido para representar a oposição, que prega mudanças na atual gestão do futebol e a independência da área social.
 
Em entrevista para este estudante de jornalismo, Aurélio Miguel fala de suas idéias e conta um pouco de sua experiência no cargo de vereador, na cidade de São Paulo. Mostrando-se ligado às questões do clube não deixou passar em branco nem o significado das estrelas na camisa do Tricolor.

Em breve neste mesmo espaço estará disponível uma entrevista com um representante da situação.

Meus sinceros agradecimentos ao Aurélio Miguel, pela receptividade durante os contatos, a seu assessor, Carlos Bortole, e a Renata Lutfi, do site Tricolorpaulista.Net.


Reportagem: Carlos Fabiano de Souza
Foto: Marcos Alves / HB Comunicação

 

 

1- Futebol e judô combinam?

Eu estou envolvido com o esporte desde os 4 anos de idade. Aprendi muito neste tempo. E uma das principais lições que trago é não temer desafios. Não tenho dúvidas que os princípios que aprendi no judô  como disciplina, determinação, desprendimento, coragem e perseverança se encaixam perfeitamente em qualquer modalidade esportiva, inclusive no futebol.

 

2- A história do São Paulo Futebol Clube é pautada pela ousadia e pioneirismo de seus dirigentes. Isso o inspira na busca pelo posto de dirigente máximo do clube?

O que faz com que eu busque a presidência do São Paulo é justamente olhar para trás e ver que aqueles dirigentes que fizeram a história do clube também não concordariam com o que atualmente acontece em seus bastidores. A mudança unilateral de um estatuto para que dirigentes se perpetuem no poder não condiz com  as marcas de ousadia e pioneirismo que levaram o São Paulo ao vanguardismo do futebol brasileiro.

 

3- Quando surgiu a vontade de representar a oposição na eleição para a presidência da diretoria?

O meu nome foi consenso entre o grupo de oposição que conta com 5 ex-presidentes, ex-diretores, conselheiros e associados que não concordam com os rumos da atual direção.

 

4- Não acha que pode fazer mais pela cidade de São Paulo, do que pelo São Paulo Futebol Clube?

Eu fui eleito por mais de 38 mil pessoas para o cargo de vereador de São Paulo e acredito que estou fazendo um bom mandato nestes pouco mais de 3 anos (ver site  www.aureliomiguel.com.br). Com a mesma garra e determinação que encarei os desafios que se colocaram em minha vida, tenho certeza de que, caso eleito presidente do São Paulo, serei um dirigente esportivo à altura da história são-paulina.

 

5- A história do judoca Aurélio Miguel tem ligação com a história do clube? Conte-nos a respeito.

Eu comecei a treinar judô no São Paulo aos 4 anos de idade por indicação médica, já que eu sofria de problemas respiratórios. Para me desenvolver ainda mais no judô, me transferi para a Associação Vila Sônia, mas sem deixar de freqüentar o clube. Com o desenvolvimento de minha carreira esportiva as constantes viagens e competições no exterior se intensificaram, chegando a ficar 7 meses por ano em competições e treinamentos na Europa e Japão. Apenas no Japão, terra do judô, estive 25 vezes. Em 83 fui campeão mundial júnior e em 84 campeão mundial universitário. Neste mesmo ano fui cortado das Olimpíadas de Los Angeles por não concordar com o presidente da Confederação Brasileira de Judô, Joaquim Mamede. Em 87 fui medalhista de bronze no Campeonato Mundial disputado na Alemanha e no ano seguinte fui campeão olímpico em Seul, Coréia do Sul. Após o título entrei novamente em rota de atrito com a direção da CBJ e fiquei afastado dos tatames por quase 3 anos. Em 93 fui vice-campeão mundial e em 96 medalha de bronze nas Olimpíadas de Atlanta, a qual disputei machucado. Em 97 fui novamente vice-campeão mundial. Encerrei minha carreira em 2001. Em 2004 fui convidado por amigos para concorrer a uma vaga no Conselho Deliberativo do São Paulo, clube onde comecei minha trajetória esportiva. Para minha surpresa e satisfação, fui eleito como o conselheiro mais bem votado da história são-paulina. Assumi a condição de coordenador de judô e montamos uma forte equipe. Colocamos 3 atletas nas Olimpíadas de Atenas/2004. Danielle Zangrando e Leandro Guilheiro, e Antonio Tenório na Paraolímpiada. O Leandro foi bronze e Tenório sagrou-se tricampeão paraolímpico. Desde Adhemar Ferreira da Silva, em 1952, o São Paulo não conquistava uma medalha olímpica.



 Escrito por Carlos Fabiano às 12h07 [] [envie esta mensagem] []






6- O primeiro passo é ser reeleito conselheiro do clube. Acredita nessa possibilidade e na oportunidade de representar a oposição na eleição para a presidência?

Tenho convicção que serei eleito conselheiro e posteriormente serei o candidato da oposição na disputa pela presidência do clube.

 

7- Acredita que a falta de experiência como dirigente de futebol pode atrapalhar uma futura gestão?

Uma gestão não se faz com apenas um homem. Não sou personalista. Tenho plena confiança em minha história dentro do esporte e na experiência das pessoas que estarão comigo em uma eventual vitória. Estou preparado. Também não tinha experiência como vereador, e acredito estar fazendo um bom trabalho para a Cidade de São Paulo.

 

8- O que tem a dizer acerca das declarações do diretor de planejamento do clube, Marcelo Portugal Gouvêa, que, em defesa da atual administração, rebateu críticas suas sobre a falta de transparência, dizendo que o senhor não comparece às reuniões do Conselho Deliberativo há um ano?

As reuniões que não compareci foram devidamente justificadas, pois estava em sessão no plenário da Câmara Municipal de São Paulo. O que não me impediu, aliás, de tomar plena consciência dos assuntos em pauta. Assuntos estes que regularmente já chegam definidos pela atual diretoria. Existe hoje no conselho do São Paulo um senta-levanta que aprova tudo o que a situação quer. Prato feito eu não aceito. Os contratos que quero ver eles não me mostram, nem a mim e nem a qualquer outro Conselheiro de Oposição.

 

9- Quem são as pessoas que o apóiam dentro do clube e no que elas poderão ajudá-lo no caso de vitória no pleito em Abril?

Conto com o apoio de 5 ex-presidentes, ex-diretores, conselheiros e muitos associados. São pessoas com históricos vencedores dentro do São Paulo. Que participaram das campanhas do bi-mundial, que descobriram talentos como Kaká, Júlio Batista, Edmilson, Fábio Aurélio, Denílson e Edu, que criaram o Projeto Sócio-torcedor, o GESP (grupo de executivos são-paulinos), etc. Enfim, são-paulinos e competentes.

 

10- Como você pensa o São Paulo para os próximos três anos, em caso de sucesso nas eleições? Detalhe-nos seus planos e projetos.

Minha plataforma não é apenas para os próximos 3 anos. Ninguém pode pensar um clube como o São Paulo apenas para daqui a 3 anos. Trabalharei para que o futebol continue forte, mas com trabalho de qualidade na transição futebol de base/profissional; apostarei numa área social independente, que tenha vida própria e não fique a reboque do futebol, e abrirei minha administração para todos, descentralizando e acabando com esta história de que só uma pessoa entende de tudo, como acontece atualmente.

 

11- Os demais clubes considerados grandes, de São Paulo, acordaram a pouco para a nova realidade, onde o investimento no marketing é algo essencial. Como o senhor pretende manter o São Paulo à frente dessas iniciativas e servindo como modelo para seus co-irmãos?

O São Paulo sempre foi referência no marketing do futebol brasileiro. Isto não ocorreu agora.

Nos últimos dias fomos surpreendidos com a denúncia de um grande jornal da cidade de São Paulo, dizendo que o clube despeja seu esgoto em um córrego que passa em suas proximidades. O marketing do São Paulo tem que se basear em ações concretas advindas da  postura imposta pela administração do clube. Estamos no século XXI e não podemos conceber um clube do tamanho do São Paulo que não cumpra suas obrigações como agente cidadão na maior cidade da América Latina. Então do que adianta eu entregar bandeirinhas na entrada do estádio e dizer que tenho um plano para transformar o torcida são-paulina na maior do país, se não consigo nem cumprir minhas contrapartidas sociais com esta comunidade que pretendo ter como minha aliada e torcedora? Há um claro desencontro entre o que está sendo feito e o que está sendo vendido para o grande público.

 

12- A população brasileira tem, em geral, uma percepção de que a política do país é "um mundo sem leis" onde prevalecem a troca de favores e a máxima de que a corrupção é prática comum. Como sua curta experiência como vereador de São Paulo poderá ajudá-lo na gestão do clube?

Existe a percepção dos fatos e a realidade dos fatos. A generalização é um mau hábito em qualquer parte do mundo. Nos Estados Unidos existe a concepção que latinos são a escória do mundo e que todo árabe ou muçulmano é terrorista. Muitas agências de turismo da Europa vendem o Brasil como um país do samba, carnaval e mulheres bonitas. Na Espanha, estudantes brasileiros são presos e deportados. O fato é que existe gente boa e ruim em qualquer ramo de atividade. Na política, no futebol e no jornalismo também existem os dois lados. Minha experiência como vereador será no sentido de conviver com o contraditório, ouvir as diversas correntes políticas que existem no clube; dialogar com a comissão técnica, enfim, ser democrático.

 

13- Qual foi sua contribuição para a cidade de São Paulo, enquanto vereador?

Meu trabalho como vereador é extenso. Aprovei projetos de lei ligados ao esporte, transporte, proteção animal, educação e saúde. Convido o leitor a visitar meu site  www.aureliomiguel.com.br e avaliar meu desempenho parlamentar. Lá presto contas de todas as minhas iniciativas na Câmara Municipal.

 

14- Qual é seu pensamento acerca da idéia de o clube incluir o estádio do Morumbi no projeto para a Copa 2014?

O estádio do Morumbi tem todas as condições de ser sede da Copa do Mundo de 2014. Independente do presidente que estiver comandando os destinos do clube deveremos receber jogos do Mundial.

 

15- No caso de não sair vencedor na eleição de Abril pensa em se candidatar a um novo mandato na Câmara Municipal?

No momento minha preocupação é continuar cumprindo um bom mandato como vereador e trabalhar  minha candidatura a presidente do São Paulo. O resto é especulação.

 

16- O São Paulo já foi visto como o maior incentivador dos esportes amadores no Brasil, carregando inclusive em sua camisa duas estrelas que representam as medalhas de ouro conquistadas por Adhemar Ferreira da Silva. Acredita que esteja na hora de o clube voltar novamente seus olhos para esses esportes? Quais suas idéias a respeito?

Apenas uma correção: as estrelas amarelas correspondem aos recordes mundiais do Adhemar Ferreira da Silva e não às suas medalhas olímpicas.

Quanto aos esportes amadores, é importante dar-lhes a importância que merecem. Um clube  do tamanho do São Paulo não pode se dar ao luxo de deixar modalidades olímpicas que lhe trouxeram tantas glórias no passado esquecidas em alguma sala da área social. Existem hoje leis de incentivo fiscal que podem fomentar a prática dessas modalidades, dando oportunidade aos associados e militantes que querem fazer carreira esportiva no Brasil. Está claro que hoje no São Paulo não há vontade política nem material humano para encarar um desafio como este. 

 

17- Como vencer a desconfiança da maioria dos torcedores e o favoritismo de Juvenal Juvêncio?

A desconfiança se dissipa a partir do momento em que, sem paixão, avaliarem minha história esportiva e o que posso fazer administrativamente para o crescimento do clube. Não sou um aventureiro, conheço os meandros do esporte; sei como age a maioria dos dirigentes, principalmente aqueles que se agarram ao poder. Quanto ao favoritismo do atual presidente, é algo que não me assusta. Sou competidor e sei que ninguém ganha na véspera. Aliás, já tivemos favoritismo igual ao hoje citado, em que a oposição venceu as eleições no Clube.

 

18- O que, sob seu ponto de vista, está errado na atual gestão do São Paulo e precisa ser corrigido com urgência?

A falta de transparência nos contratos firmados, a centralização de poder, a mudança de estatuto, a falta de uma estrutura profissional no CT de Cotia que consiga realizar uma transição eficiente dos atletas da base para o profissional, enfim, motivos não faltam para que se promova uma mudança de hábitos e pensamentos.

 

19- O São Paulo precisa do Aurélio Miguel? E o Aurélio Miguel, precisa do São Paulo?

Eu preciso de um São Paulo Futebol Clube forte, ético, democrático. Que reflita fora do campo a qualidade que os jogadores demonstram nos gramados. Eu preciso de um São Paulo com pluralidade de idéias, com uma relação menos dependente de empresários. Eu preciso de um São Paulo cidadão, que cumpra suas contrapartidas sociais com a população paulistana, que respeite o meio-ambiente, que trabalhe socialmente a população de baixa renda que vive em seu entorno.

Já o São Paulo precisa de renovação. Precisa de novas idéias, de alguém que tenha sentido na pele o que acontece com um atleta antes durante e depois de uma competição. Que saiba identificar os dirigentes que querem se locupletar no esporte. E que defenda, antes de tudo, os interesses do clube que representa.



 Escrito por Carlos Fabiano às 12h04 [] [envie esta mensagem] []






A vitrine do futebol

 

Existe vitrine maior ou melhor no futebol brasileiro do que o São Paulo Futebol Clube? Não creio.
É um absurdo como a maioria dos atletas dá preferência em assinar contrato com o clube do Morumbi, pensando em projetar-se internacionalmente e ver seu futebol reconhecido pelo técnido da seleção brasileira.

A "bola da vez" responde pela alcunha de Jancarlos, ex-Atlético/PR.

Depois de longa negociação com o Corinthians o atleta acertou sua ida para o Tricolor após uma curta conversa com Milton Cruz, auxiliar do técnico Muricy Ramalho.
Em rápida negociação com a diretoria seu empresário fechou um contrato de 3 anos e à Folha On line deu o seguinte depoimento:

"A melhor proposta era do Corinthians, mas não tenho como fechar as portas para um clube como o São Paulo."

O que tem de tão especial esse clube que há tempos é cantado em verso e prosa? O que será que enfeitiça os atletas e seus empresários?

Dizem que outros clubes do país têm estrutura tão boa quanto o São Paulo. Mas na avaliação de propostas a maioria dá sempre preferência ao tricolor paulista.

Começo a acreditar que além da estrutura de primeiro mundo o diferencial oferecido pelo São Paulo é a tranqüilidade que sua diretoria oferece aos atletas. No São Paulo torcedor não invade treino, as crises - se existem - são passageiras, os pagamentos são feitos em dia e a possibilidade de um bom contrato com um grande centro do futebol europeu é muito maior que em qualquer outro lugar.

O São Paulo continua na vanguarda do futebol brasileiro.

Pena que seus adversários não aprendem nunca.



 Escrito por Carlos Fabiano às 12h17 [] [envie esta mensagem] []






Vox Populi (Voz do Povo)

Por que o deputado Sílvio Torres (PSDB-SP) incomoda tanto os cartolas do futebol brasileiro?

Por que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, é crítico ferrenho de sua atuação no Congresso Nacional?

Após breve pesquisa constata-se que o parlamentar não tem qualquer ligação com clubes ou federações do futebol, o que confere a ele uma visão isenta da administração desse esporte, dando a capacidade de propor medidas adequadas para sua regulamentação.

Silvio Torres é empresário e jornalista. Talvez por isso defenda uma administração mais profissional em nosso futebol, comandado hoje como se fosse o quintal da casa dos dirigentes de clubes e federações.

Foi ele quem criou o projeto de lei que estabelece "que a seleção brasileira de futebol integra o patrimônio cultural brasileiro e é considerada de elevado interesse social."

Muitos podem achar que trata-se de implicância e perseguição, ou podem pensar que existem problemas mais sérios no país, com os quais o deputado deveria se preocupar. Mas esse tipo de argumentação logo cai por terra se pensarmos que o futebol é quase um patrimônio nacional.

Foi o deputado Sílvio Torres quem propôs, por exemplo, uma emenda constitucional que proíbe a exibição de jogos das seleções nacionais apenas em TV fechada e autoriza TVs públicas a exibirem, sem custos, eventos esportivos de interesse nacional.

Alguém consegue imaginar que pessoas com poucas condições financeiras fiquem sem assistir a uma partida da seleção brasileira só por conta de sua transmissão apenas em TV fechada?

Essa idéia não deveria nem ser cogitada, mas é o que quer a CBF.

Hoje Sílvio Torres é a "pedra no sapato" de Ricardo Teixeira e dos interesses da maior emissora de TV do país, ao mesmo tempo em que é a voz do povo brasileiro.

O cidadão brasileiro, acomodado como sempre, deveria abrir os olhos para esta questão que pode não parecer, mas é tão importante quanto o feijão com arroz de todos os dias.



 Escrito por Carlos Fabiano às 11h06 [] [envie esta mensagem] []






Trabalho infantil

Essa semana dirigentes de clubes paulistas, em companhia do presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, visitaram o Congresso Nacional onde reuniram-se com o Ministro dos Esportes, Orlando Silva Jr e parlamentares.
 
O principal tema em debate foi a alteração da Lei Pelé, que regulamenta a relação entre atletas e os clubes formadores.
 
A polêmica da questão está no fato de que cada vez mais cedo os jogadores deixam o país em busca de reconhecimento financeiro e profissional, sem que seus clubes formadores recebam algo em troca, mesmo tendo investido na formação desses meninos.
 
Não só os clubes brasileiros sofrem com o assédio às suas promessas, já que até mesmo entre os europeus essa prática tornou-se comum.
 
Na Itália a modesta equipe do Reggina queixou-se formalmente à sua federação, que levou ao conhecimento da UEFA (União Européia de Futebol) a acusação de que o inglês Chelsea assediou a jovem promessa Vincenzo Camilleri, de apenas 15 anos.
 
Talvez a diferença entre a Europa e o Brasil esteja na forma como a questão é tratada. Michel Platini, presidente da UEFA, e ex-jogador, anunciou que o caso será investigado e medidas serão adotadas para coibir tal prática. Ele lembrou que deixou a França, onde atuava pelo Nancy, aos 27 anos para jogar na Juventus de Turim.
 
A conhecida morosidade da justiça brasileira aliada à vontade política de nossos congressistas faz com que sejamos alvos fáceis para a exploração de nossa mão-de-obra futebolística.
 
Discussões intermináveis no Congresso ocorrem enquanto continuamos sendo alvos desses predadores e assistimos passivamente nossos gramados cada vez mais pobres.
 
O torcedor precisa fazer algo mais do que pagar seu ingresso.
 
O torcedor precisa ser mais politizado.



 Escrito por Carlos Fabiano às 17h46 [] [envie esta mensagem] []






À moda antiga

Certamente em algum momento de sua vida você já deve ter escutado um trecho dessa música de Roberto Carlos, onde o amante à moda antiga é o tipo que ainda manda flores.

Hoje sua aplicação no futebol diz respeito à arte, tão difícil de ser exibida nos gramados do nosso país.

Pois é, foi preciso um chileno abusado vir para cá para mostrar ao brasileiro que este não deve abandonar suas origens, e talvez deva sim voltar a jogar o futebol à moda antiga.

Chega de Magrão, William, Bruno Octávio, Marcinho Guerreiro.
Viva Valdívia, Hernanes, Alex (Inter de Porto Alegre) e Denilson.

Como podem ver são poucos os que ainda se arriscam a desfilar sua habilidade pelos gramados. Para alguns críticos, atletas e técnicos isso virou pecado. Isso é irritante demais, a ponto do volante corintiano Bóvio pedir a Valdívia no clássico de ontem, contra o Palmeiras, que ele evitasse fazer firula, sob pena de receber uma entrada mais dura.

Saudades de Gérson, o Canhotinha de Ouro, Rivelino e Tostão.
Saudades de Ademir da Guia, Sócrates, Cerezo e Falcão.

À moda antiga continuo sonhando com a volta do futebol de verdade.
Enquanto isso vamos assistindo a lição que um chileno sorridente nos dá a cada semana.
Sem choro, nem vela.
À moda antiga.



 Escrito por Carlos Fabiano às 16h30 [] [envie esta mensagem] []






Falta no meio campo

O São Paulo parece continuar batendo cabeça.

O jogo de ontem, contra o Mirassol, pelo Paulistão, deixou evidente a necessidade de um meia de criação para abastecer o ataque.

Em vários momentos da partida o jogo tricolor era armado pelos zagueiros, como na subida perigosa de Juninho, no primeiro tempo, que terminou com um bom chute de fora da área, para defesa do goleiro Alexandre Fávaro, ou as descidas pela direita de Miranda, todas sem muito perigo.

Ainda no primeiro tempo com um gol "quase sem querer" de Jorge Wágner, numa cobrança de falta cruzada, o São Paulo abriu o placar.

Parecia então que ia dominar a partida, mas carecia de alguém criativo em seu meio campo.
Os atacantes Borges e Adriano continuvam tendo de sair da área para buscar o jogo, já que as bolas só chegavam através de cruzamentos ou chutões dos defensores.

Hernanes tentava conferir alguma habilidade na saída de bola, mas a responsabilidade de marcar o adversário o deixava sobre carregado.

O Mirassol sem muita ofensividade levava algum perigo apenas com o meia Xuxa.
No segundo tempo, logo no início, Borges fez boa jogada e de fora da área ampliou o placar, que só seria modificado perto do fim da partida, com lindo chute de Fabinho Capixaba, que marcou o gol de honra para o time da casa.

Ao fim da partida ficou a impressão de que para engrenar o São Paulo precisa mesmo de alguém em seu meio de campo capaz de fazer com que Adriano possa ser de verdade o Imperador. Talvez somente dessa maneira ele jogue o futebol que dele tanto se espera.

Será que existe no Brasil alguém com essas características?

Ah, se o cara da foto ainda jogasse bola...



 Escrito por Carlos Fabiano às 16h23 [] [envie esta mensagem] []






Uma alegria fulgaz

Chego em casa à tarde. É terça-feira.
O dia do mês não importa, mas hoje tem um jogo ótimo pela Liga dos Campeões da Europa.

Outro dia no noticiário li uma reportagem sobre o confronto entre torcedores numa praça da cidade de Londres, na Inglaterra. Problema da polícia.

Dentro dos estádios europeus reina a mais absoluta paz, garantida, é claro, pelo contingente policial e as medidas adotadas para conter os mais exaltados e afoitos.

Fato é: por que não vejo um alambrado ou um fosso separando a torcida do campo de futebol? Fico até aflito quando penso que algum torcedor pode ser atingido no rosto por uma bolada. Acho que o Branco (gerente de futebol do Fluminense) seria preso por matar alguém com uma bolada, caso tivesse jogado na Inglaterra.

O que acontece fora dos estádios é problema da polícia. É ela quem deve, por exemplo, assegurar que um clube de futebol deixe seu hotel e chegue em segurança ao local da partida, quando este está em "território" reconhecidamente hostil, no caso de se tratar de um torneio como a Taça Libertadores da América, ou um jogo com grande rivalidade aqui mesmo, no Brasil.

Quando ocorre algum fato dentro das dependências do estádio o clube mandante passa a ser co-responsável pela segurança do evento, bem como pelo comportamento de seu torcedor. Ao clube visitante cabe também a responsabilidade pelo comportamento de sua torcida, para que esta não atire objetos no gramado, ou o invada, por exemplo.

Na última quarta-feira, 27/02/2008, ocorreram fatos lamentáveis na maior competição interclubes das Américas. Jogadores de São Paulo e Santos correram sérios riscos em suas respectivas partidas contra o Nacional de Medellín, na Colômbia, e contra o Deportivo Cúcuta, também na Colômbia.
Para bater um escanteio era necessário contar com a proteção policial, através de escudos, para não serem atingidos por toda a sorte de objetos que eram atirados das arquibancadas.

Ainda há espaço para esse tipo de coisa no futebol sulamericano?

Ainda na pré-Libertadores a partida entre Cerro Porteño e Cruzeiro, no Paraguai, foi interrompida aos 24 minutos do segundo tempo, por falta de segurança. Diversas pedras (a TV mostrou os mais variados tamanhos que com certeza poderiam causar uma tragédia) foram atiradas ao gramado contra os atletas cruzeirenses. A pena imposta pela Conmebol (Confederação Sulamericana de Futebol) ao Cerro, mandante do jogo, foi de 4 partidas longe do estádio Defensores del Chaco, ou seja, ainda jogará com público, mas em outro local.

Uma atitude mais enérgica é o que se espera da entidade que gerencia o futebol no continente.

Será que esperam primeiro acontecer alguma tragédia semelhante ao ocorrido em 1985, na final da Liga dos Campeões da Europa, entre Juventus, da Itália, e Liverpool, da Inglaterra? Um confronto entre torcedores dos dois clubes deixou 39 italianos mortos e centenas de feridos. Até então os temíveis Hoolygans agiam impunemente. Só então as entidades tomaram duras medidas contra esse tipo de torcedor que precisa realmente ser afastado das praças esportivas.

Ao brasileiro cabe perguntar e questionar, também de forma dura, o papel da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Para que serve a entidade? Apenas para lucrar às custas da seleção? Onde fica a defesa dos interesses dos clubes brasileiros?

O São Paulo, por conta própria, já tomou a iniciativa de acionar a Conmebol, pedindo medidas duras contra o Nacional de Medellín.

Havendo punição ou não o clube agiu em defesa de seus interesses e do interesse do futebol brasileiro.

À CBF compete o papel de lucrar cada vez mais às custas dos atletas que são formados pelos clubes do país, enquanto seus "filhos erram cegos pelo continente, levando pedradas feito penitentes".



 Escrito por Carlos Fabiano às 21h56 [] [envie esta mensagem] []




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